domingo, janeiro 22, 2017

Things will happen while they can



winter's cityside
crystal bits of snowflakes
all around my head and in the wind

i had no illusions
that i'd ever find a glimpse
of summer's heatwaves in your eyes

you did what you did to me
now it's history i see
here's my comeback on the road again

things will happen while they can
i will wait here for my man tonight
it's easy when you're big in japan

[...]

Surripiados, vídeo e letra, daqui.


sábado, janeiro 21, 2017

Nós e os outros

«Daqui a uns dias, reze por mim e acenda uma luzinha.» 
O sinal de interrogação no meu rosto fê-la continuar: «Vou ser operada no IPO.» 
Tentei umas palavras de conforto, que saíram desajeitadas. Que palavras não são desajeitadas em circunstâncias destas?
«Sei que não vai à missa, L..»
«Às vezes, vou à missa.», retorqui.
«Isso não importa. O que importa é o que está aí dentro e, aí dentro, há um coração grande.»
Aproximou-se à procura de um abraço. Depois, numa atitude egoísta, fui eu que procurei nela outro abraço.
«Não se esqueça de rezar por mim.», disse quando começou a descer as escadas em direcção à rua.

sexta-feira, janeiro 20, 2017

As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Do Eugénio de Andrade, que nasceu num dia 19 de Janeiro (1923)



Pintura de Cristina Valadas

terça-feira, janeiro 17, 2017

À sombra do vulcão



Às vezes o coração é um vulcão em sossego,
as horas dos dias passam a medo
mas levantas-te cedo, cumpres a rotina
e acabas a noite, com a televisão ligada,
a dormir no sofá da sala.
Às vezes o coração é um vulcão em erupção,
a solidão enche tudo, a lava lava, a cinza ofusca,
cada dia uma guerra etrusca,
e acabas a noite sem dormir
numa cama qualquer.

Surripiado do mural de Facebook da autora, a Raquel Serejo Martins

domingo, janeiro 15, 2017

Leituras

«A sua vergonha de mim impunha-se como uma ferida impossível de sarar, constantemente esmagada pela confessada rejeição, que era a dos outros mais do que sua, e encerrava um preconceito que o amor teria de transpor ou não existiria. [...] O David não sabia que a sua vergonha não implicava apenas a sua rejeição, mas a de toda a cultura que nos envolvia [...]. As palavras dos amigos, que representavam todos os homens, valiam mais para si que a nossa união, o nosso riso.»


Isabela Figueiredo, A Gorda


terça-feira, janeiro 10, 2017

Depois vieste tu

XVIII

               (Experiência.)

Depois vieste tu
(tu quem?)
e meteste nos sonhos, no mel, nos cravos
as pedras que piso..
E apedrejaste a morte
com o teu sorriso.


José Gomes Ferreira

Vi o "mar" ao pôr-do-sol


...num dos últimos dias de 2016.